Jornal do Commercio: Eletrônica além do bate-estaca

Virna Lisi (Foto: Paulo Valle)José Teles
teles@jc.com.br

Belo Horizonte – Em sua décima edição na produção do festival Eletronika, Aluizer Malab, também empresário da Patu Fu, espalhou o evento por quatro locais da cidade. Um dos pontos foi o Centro Cultural 104, um antigo galpão, localizado num local barra pesada do Centro da capital mineira. “Eu fui influenciado pelo Abril Pro Rock, que conheci logo no começo com a Pato Fu. Fiquei amigo de Paulo André e lamentei que Belo Horizonte estive tão carente de festivais. Ao mesmo tempo queria uma coisa diferente. Apostei na música eletrônica, que ainda não fazia muito sucesso no Brasil. Em BH não tinha público, então fiz o primeiro Eletronika. O festival deu mídia, e no ano seguinte já foi bem diferente.”

O nome Eletronika não define bem o que é o festival. Quem o abriu, no palco principal, no espaço 104, foi a Virni Lisi, seminal banda mineira surgida em 1989. Com o primeiro disco, Esperar o quê? lançado pelo hoje histórico selo Tinitus, de Pena Schmidt, a banda surpreendeu com uma mistura de punk rock, pop, samba e ritmos mineiros. O álbum estourou na MTV, mas o grupo acabou depois do terceiro disco. “Foram problemas, desejos pessoais. Agora a gente volta especialmente para comemorar os 20 anos do grupo e para o Eletronika. Talvez continuemos, a ideia inicial é resgatar os três discos”, explica o integrante César Maurício depois do show (que emocionou os roqueiros mineiros). Para eles, foi como se no Recife o Ave Sangria voltasse a tocar com a formação original. Lembrete: há 12 anos a Virni Lisi não fazia um show – mostrou que continua em plena forma. Os quarentões fizeram uma apresentação antológica (bem que poderiam voltar a tocar no Abril Pro Rock ou animar o carnaval do Rec-Beat). Tathianna Nunes, do Coquetel Molotov, aliás, engatou no início deste ano uma parceria com o Eletronika.

O festival uniu o passado ao presente do rock mineiro com a Dead Lover’s Twisted Heart, da atual cena mineira, mas o forte foram as atrações francesas, numa parceria com o projeto Ano da França no Brasil. Vieram nomes como o Mintel Rose, Rubin Stenier, o DJ Anoraak e Birdy Nam Nam, todos nomes bastante conhecidos na França, mas ainda obscuros no Brasil. Alguns foram escalados para o palco do 104, outros, mais voltados para as pistas, para os três clubes dentro da progamação, que acertou ao apostar numa eletrônica que não é mais a repetitiva bate-estaca. Prova disso é o duo N.A.S.A, formado por um brasileiro e um americano, já referência no crossover entre o dancing e o pop. Se nos 90 as misturas traziam ritmos urbanos e regionais, a tendência agora é a mescla de batidas eletrônicas com o pop rock urbano e o jazz. É o que faz a Mintel Rose, que junta o indie à eletrônica e à música dos anos 70, com ótima performance de palco. O ponto alto do festival, no entanto, está bem longe dos palcos, brinca o produtor Luizier Malab. “É o já tradicional churrasco preparado por Carlos Eduardo Miranda, no domingo à tarde. Ele já chega com os espetos e facões nas mãos.” Ao churrasco, pois.

» O jornalista viajou a convite do evento

Publicado em 9 de November de 2009

Deixe um comentário

Assuntos

Arquivo